Sobre a revista

Ser kitsch para ter autoridade de acusar kitsch.

A gente acusa sempre de dentro, nunca de cima. Porque é kitsch como você — e é exatamente isso que dá o direito de falar.

A Revista Kitsch nasceu de um incômodo: o do sujeito de repertório que passa o dia preso num escritório que sufoca toda vazão estética, e que sente — sem conseguir formular — que há genialidade no brega que o bom gosto despreza.

A gente formula por ele. Olha o chaveiro do Senna, a santa do painel, o perfume "On" do gerente, a placa pintada à mão — e leva tudo a sério, com o repertório alto que o objeto baixo merece e nunca recebe.

Nosso selo é um carimbo de "qualidade garantida" — o gesto mais brega da autoridade oficial. Usamos em nós mesmos. De propósito.

A régua de valor

Sinceridade contra cinismo. O inimigo nunca é a classe — é a covardia estética.

Celebramos o que assume o que é: o brega convicto, o ornamento sem vergonha. Desprezamos o falso-sóbrio que finge bom gosto para esconder a ausência de ideia.

Três territórios

01

Rua

O cotidiano com endereço — estabelecimentos, balcões, fachadas, o vernáculo de esquina.

02

Ficções?

Ficção e reais inacreditáveis. O "?" performa a régua: às vezes a verdade é brega demais para ser inventada.

03

Distopia

Crítica sombria e ficção especulativa do futuro. O que sobra do consumo quando o consumo vai embora.

Tem um objeto que merece ser levado a sério?

Fale com a redação